Entenda como eram realizados os sepultamentos antes dos cemitérios

Saiba tudo sobre a origem dos cemitérios, curiosidades e características dos sepultamentos e cerimônias nas épocas passadas.

Hoje em dia, por todo o mundo possuímos milhares de necrópoles para a realização de velórios, sepultamentos, cremação e demais serviços funerários, algumas delas contando até com construções monumentais como mausoléus familiares.

Porém, nem sempre foi assim, durante muitos anos a forma em que eram realizados os velórios e sepultamentos variava de acordo com características dos povos, religiões e costumes de cada família.

Desde o começo das civilizações já existiam alguns locais próprios para sepultamentos, como há registros que mostram o primeiro “cemitério” em 60.000 A.C.

Velório

Mas as formas de velório e sepultamento que conhecemos atualmente só começaram a se desenvolver na Idade Média, devido aos objetos que os povos usavam para tomarem bebidas serem feitos com materiais como o estanho, que causava efeitos colaterais.

Portanto, ao ingerirem bebidas alcoólicas nesses copos, ao entrarem em contato com o estanho, por vezes ocorria a narcolepsia, que é um distúrbio crônico do sono que causa sonolência diurna em excesso, devido aos efeitos dessa mistura.

Com isso, aos que sofriam desse efeito colateral, para ter certeza se estava vivo ou havia falecido, os familiares e amigos o deixavam sobre uma mesa ou cama, aguardando durante alguns dias a certeza do que havia ocorrido.

Como ainda não existia energia elétrica, para iluminar o ambiente onde estava o suposto falecido, seguravam velas por todo o local para que ficasse iluminado.

Acredita-se que devido a esse fato tenha surgido o termo “velar o corpo”, expressão usada nas cerimônias de velório que conhecemos atualmente, realizada diariamente em diversos velórios por todo o Brasil.

Inglaterra

Já o início dos sepultamos parecidos com o formato que conhecemos hoje, há registros do seu começo apenas por volta de 1800 na Inglaterra, devido a grande pandemia que devastou a Europa no início desta época.

Outro fator marcante da época era a forma em que os familiares e amigos se portavam diante desse momento de perda, em sua maioria os velórios eram repletos de gritarias, choros e desmaios devido ao forte momento sentimental e emocional.

Dado por conta da realização dos velórios ainda nas casas dos próprios familiares do falecido, normalmente com duração de um a dois dias, a família “velava” o corpo na residência recebendo as visitas de pessoas próximas ao falecido, para somente depois ocorrer o sepultamento.

Ainda há registros de que por aproximadamente um ano, as mulheres que eram próximas ao falecido vestiam roupas pretas como forma de demonstrar o luto, os homens por sua vez, usavam uma tarja preta na manga ou no bolso da camisa, como forma de demonstrar o sentimento de perda.

Porém, os moldes iniciais de sepultamento na Inglaterra foram suspensos alguns anos após seu início, devido ao grande volume de cadáveres que desapareciam nos locais de enterro, por conta de terem um alto valor de venda principalmente para estudos em universidades voltados para área patológica.

Mudança no Brasil

Com os avanços dos estudos que viabilizaram a construção de espaços destinados a sepultura dos falecidos, a Europa teve seu seu primeiro grande cemitério já no ano de 1804, chamado de Pére Lachaise, em Paris (França).

No Brasil, até meados do século 19 as formas em que realizavam os velórios e sepultamentos, eram bem diferentes das que conhecemos atualmente.

Os enterros normalmente eram realizados dentro de igrejas, sendo uma forma das formas mais honradas da época, feitas em sua maioria ao falecimento de famílias nobres e bispos da igreja.

Já as famílias de classes baixas, eram sepultadas em valas comuns, próximas às igrejas, sendo até mesmo colocados corpos sem caixões por cima de ossadas dos defuntos que por ali estiveram.

Além disso, a cerimônia de velório normalmente era feita nas casas dos familiares do falecido, uma prática comum onde as famílias recebiam as pessoas próximas daquele que partiu para ali prestarem suas últimas homenagens.

E devido às duas práticas serem recorrentes naquela época, começaram a surgiu doenças causadas pela falta de higiene e limpeza nesses locais, desencadeando diversos problemas sanitários por todo o país, principalmente nas igrejas.

Até que no ano de 1850 foi oficializada a decisão de construir a primeira necrópole pública do Brasil, o cemitério da Consolação, localizado na cidade de São Paulo.

Criado para atender distintas classes, abrangendo toda população e resolvendo os problemas sanitários da época, com o passar dos anos e devido ao poder econômico de barões de café, políticos e donos de indústrias, o cemitério passou por uma forte elitização.

Sendo hoje considerado hoje um museu a céu aberto, repleto de túmulos de personalidades históricas e famílias de grande importância não somente para a cidade, mas também perante o país.

É possível observar em todo o cemitério os enormes túmulos, repletos de obras de arte realizadas por artistas de grande importância, além dos monumentais Mausoléus presentes no local, como o da Família Matarazzo, que é o maior de toda América Latina, tendo uma altura de um prédio de 3 andares.

Após sua construção, a maioria das prefeituras por todo o Brasil puderam ver como solucionar os problemas ocasionados na época pela falta de locais para sepultamento.

E hoje temos por todo o país, diversos cemitérios referências, prestando atendimento digno às famílias enlutadas, além de necrópoles com características monumentais, como o Cemitério da Vila Formosa, o maior de toda América Latina, localizado na cidade de São Paulo.

Sendo assim solucionado há anos os problemas fúnebres no país, com necrópoles como referência não somente em sepultamentos, mas também na realização de cerimônias como o velório, além da cremação que a cada ano vem se tornando mais comum em diversas cidades.